Cá estamos nós!

Cá estamos nós!
Uma história por semana continua...
E porque as nacionalidades ultrapassam continentes,
Esta semana apresentamos um conto tradicional de Angola


                    O LEOPARDO NEBR,
  

 ...


Responde ao desafio e continua esta lenda angolana com o que terá acontecido em seguida, será que o tigre enganou todos, ou foi surpreendido?

E a Beatriz Coelho respondeu assim:

"Tu que és couraçado entras primeiro, vais até onde puderes, se achares que é muito perigoso voltas para trás. E o porco espinho foi assustado mas foi; e a seguir a gazela disse:
- Esperem o porco espinho vai.
Quando ele chegou a meio do percurso, as portas fecharam-se e o leopardo levantou-se e disse:
- Olha, olha o que temos aqui. Um porco espinho arrojado, mas gosto. O pobre animal deu um passo atrás mas não valia de nada, as portas estavam trancadas e assustado o porco espinho disse bem alto:
- O corvo saiu do ninho.
O leopardo achou estranho mas não se importou, mas logo depois o resto do grupo veio armado e partiram as paredes.
Estavam um pouco assustados por verem os amigos mortos mas ignoraram e mataram o leopardo e venderam o filho do leopardo.

Beatriz Coelho, 3.ºB; EB Casal da Serra


 Uma História por Semana continua...
E porque nas nossas escolas há várias nacionalidades,
E porque se comemora a Semana da Europa...





O PIRES DE PRATA E A MAÇÃ MADURINHA
Conto tradicional russo


Há muito tempo houve um velho e uma velha que tinham três filhas. Enquanto as duas mais velhas eram espertalhonas, a mais nova era boa e ingénua. Aquelas exibiam vestidos vistosos, sapatos de salto alto, colares de contas douradas; a irmã boa, a Natacha, andava sempre de escuro, claros eram só os olhos dela. Por adorno tinha apenas uma rica trança loura que lhe caía até ao chão. Muito preguiçosas, as duas irmãs mais velhas passavam o dia ao espelho, enquanto Natacha se ocupava da casa, do campo e da horta. De sol a sol, arrancava ervas daninhas, ordenhava as vacas, rachava lenha e dava de comer aos patos. Por muitos recados de que a encarregassem, tudo cumpria de boa vontade, nunca se queixava e estava sempre bem disposta. As irmãs ralhavam-lhe e carregavam-na de trabalhos. E Natacha, calava-se.

E assim foram correndo as coisas.
Certa ocasião, o pai teve de ir à feira vender feno, e perguntou às filhas o que é que queriam que ele lhes trouxesse.
Uma delas pediu:
— Paizinho, compra-me seda para um vestido.
Outra disse:
— Para mim, compra veludo carmesim.
Natacha não disse nada, ficou calada. O velho teve pena dela e perguntou-lhe:
— Então, minha filha, não queres nada?
— Paizinho, compra-me uma maçã madurinha e um pires de prata.
As irmãs riram-se a valer de tal lembrança e escarneceram muito dela.
— Que tola, Natacha! O nosso pomar está cheio de maçãs, todas muito madurinhas. E o pires, para que é que o queres? Para dar de comer nele aos patos?
— Nada disso, manas. Vou rolar a maçã no pires e dizer ao mesmo tempo umas palavras mágicas. Foi uma velhinha que mas ensinou, por lhe ter dado um pão.
— Bom — interveio o pai — basta de troçarem da vossa irmã. Vou trazer o que cada uma pediu, está dito.

O pai foi à sua vida. Se andou muito ou pouco e se levou muito ou pouco tempo, não nos interessa: o que nos interessa é que chegou à feira. Ali vendeu o feno e comprou o que as filhas lhe haviam pedido: seda azul para uma, veludo carmesim para outra, o pires de prata e a maçã madurinha para Natacha.
Regressou o velho a casa, e as filhas mais velhas não cabiam em si de contentes com os presentes. E logo começaram a cortar as fazendas, rindo a bom rir da irmã:
— Fica com a maçã, para não seres parva…
Mas Natacha, sem fazer caso, sentou-se a um canto e, fazendo rolar no pires de prata a maçã madurinha, pôs-se a murmurar:
— Rola, maçã madurinha, rola pelo pires de prata, mostra-me cidades e campos, mostra-me florestas e mares, mostra-me montanhas em toda a sua altura e céus em toda a sua formosura, mostra-me a Rússia, minha mãe.

De repente, ouviram-se campainhas A casa iluminou-se toda: rolando a maçã madurinha no pires de prata, este pôs à vista cidades e prados, regimentos em manobras e barcos no mar alto, montanhas em toda a sua altura e céus em toda a sua formosura; o Sol a girar atrás da Lua lucilante, estrelas todas a andar à roda, cisnes no remanso, cantando doce e manso.
As irmãs não tiravam os olhos do tesouro da mais nova e ficaram-lhe com grande inveja.
Não suportando tal sofrimento, puseram-se as duas a imaginar a maneira de roubar a Natacha o pires e a maçã. Mas apesar de todas as tramóias, foi o mesmo que nada. Não lhes dando ouvidos, Natacha passava as noites a brincar com o pires. 


Perante aquilo, as irmãs teimaram com a irmã para que fosse com elas à floresta.
— Vamos aos morangos e bagas silvestres, querida mana, para paizinho e mãezinha comerem.
E foram. Na floresta, porém, bagas, nem uma. Morangos, nem sinal. Natacha puxou do seu pires, no qual fez rolar a maçã, e pôs-se a murmurar:
— Rola, maçã madurinha, rola no pires de prata, mostra-me onde há morangos e flores azuis.
Imediatamente se ouviu o som mavioso de campainhas e, rolando a maçã madurinha no pires de prata, este pôs à vista toda a floresta. Num sítio, havia morangos; noutro, flores azuis; ali, cogumelos; além, fontes a brotar e, no remanso, cisnes, cantando doce e manso.

Ao verem aquilo, as irmãs ficaram desesperadas, e por pouco não rebentaram de inveja. 

Perderam a cabeça e ...




Continua a história desta lenda, propondo o que terá acontecido a Natasha e como termina a história???



RESPOSTA AO DESAFIO 
Uma História por Semana


O PIRES DE PRATA E A MAÇÃ
"E sem a Natacha se aperceber a irmã mais velha tirou-lhe o pires e a maçã e riu-se.
E a do meio mais conhecida por Rita, sentiu uma dor como se fosse um aperto no coração e achou que estava com pena de Natacha, mas sim não queria acreditar, mas era a única explicação e pediu à irmã mais velha chamada Bela que parasse e que isso não era nada comportamento de irmã mais velha.
Bela olhou dentro de si e também sentiu  o aperto no coração  mas o ego era maior do que os sentimentos, mas depois o pires viu a dona a chorar e disse para si mesmo:
- Olha! A minha dona está  a chorar e não gosto de ver uma menina de 5 anos a chorar e serem os meus donos, fico mais triste do que alguém sozinho no Natal.
E o pires foi rapidamente disparado das mãos de Bela  para os braços de Natacha.
Natacha parou de chorar e limpou as lágrimas.
Mas Bela disse!
- Isto não acaba aqui porque ainda tenho a maçã!
Maçã acorda do sono e de repente sai das mãos de Bela e vai contra a cara  da irmã mais velha e ficou marca.
Maçã caiu no chão e rebolou para a beira de Natacha.
Bela pede desculpa a todos e voltam para casa e a menina mais nova mais nova agradeceu aos novos amigos.
O pires disse que não podia ir  porque havia muitos males  na floresta e alguém tinha de os pôr na linha e a maçã foi também derrotar todos os males.

Beatriz Correia Coelho, 3.ºB / EB Casal da Serra




Diz a lenda que as irmãs...

"Deitaram a mão a um pau, mataram a pobre Natacha, enterraram-na debaixo duma árvore e ficaram-lhe com o pires e a maçã. Voltaram a casa ao cair da noite, com os cestos cheios de cogumelos e bagas, e disseram ao pai e à mãe:
— A Natacha fugiu-nos. Procurámo-la pela floresta toda, e nada. Perdeu-se, e de certeza que foi comida pelos lobos.
Disse-lhes o pai:
— Rolai no pires a maçã, pode ser que esta nos mostre o paradeiro da nossa Natacha.
Embora mortas de medo, as irmãs não tiveram outro remédio senão obedecer. Mas o pires ficou mudo e a maçã não deu a ver nem florestas, nem campos, nem montanhas em toda a sua altura, nem céus em toda a sua formosura.
Nessa altura aconteceu andar um pastor à procura duma ovelha que se perdera na floresta. Viu uma árvore e debaixo desta, um montículo recém-formado com muitas flores azuis no meio de um canavial.
O pastor cortou uma cana, fez uma flauta e pôs-se a tocar. Mas a flauta, em vez de tocar, começou a dizer muito claramente:
— Toca, toca, pastor, toca na tua flauta de cana, pois tiraram-me a minha vida em flor, e tudo por mor do pires de prata e da maçã madurinha.
O pastor, logo que isto ouviu, correu a contar tudo aos aldeões. Juntou-se gente, soltando ais. Também ali acorreu o pai da Natacha. E, mal pegou na flauta, esta começou a falar muito claramente:
— Toca, toca, pai, toca na tua flauta de cana, pois tiraram-me a vida em flor, e tudo por mor do pires de prata e da maçã madurinha.
O pai desatou a chorar, e pediu:
— Leva-nos, pastor, ao sítio onde cortaste a cana.
Foram lá e viram, debaixo da árvore com flores azuis e nos galhos pássaros a cantar.
Cavaram e encontraram a Natacha morta. Mas até parecia viva, adormecida, com as faces muito rubras.
A flauta continuava a tocar sozinha e a falar assim:
— Toca, toca, flauta, toca, flauta de cana, que as minhas irmãs trouxeram-me para a floresta e aqui me tiraram a vida em flor, tudo por mor do pires de prata e da maçã madurinha. Toca, toca, flauta, toca, flauta de cana. Arranja-me, paizinho, um pouco de água cristalina do poço de que bebe o rei.
As duas irmãs invejosas, quando viram o caso mal parado, muito brancas, confessaram de joelhos o seu crime e logo foram presas.
O velho preparou-se e foi à cidade buscar água milagrosa.
Viu o rei a descer por uma escada de ouro. O velho fez-lhe uma vénia até ao chão e contou-lhe tudo. Resolveu o rei:
— Tira quanta água quiseres do meu poço, e logo que a tua filha regresse à vida, que venha à minha presença com o pires, a maçã e as malvadas das irmãs.
Feliz da vida, assim fez e correu para casa com a água milagrosa.
Mal salpicou com a água o corpo da Natacha, logo esta se levantou e abraçou-se ao pai. 
Juntou-se o povo, que cantou de alegria.
O velho pôs-se a caminho da cidade com as filhas em direção ao palácio.
O rei apareceu e olhou para Natacha e perguntou-lhe:
— Onde tens o teu pires e a maçã madurinha?
Natacha mostrou-lhos e fez rolar a maçã madurinha no pires de prata.
De repente, ouviu-se o som mavioso de campainhas. E o pires começou a mostrar cidades do reino, com regimentos de bandeiras desfraldadas em perfeita formatura. 
O rei ficou assombrado e a linda menina disse assim ao rei:
— Fica com a minha maçã madurinha e o pires de prata, mas perdoa às minhas irmãs. Peço-te por tudo.
Caiu isto em tanta graça ao rei, que disse:
— O teu pires é de prata, mas o teu coração é de ouro. Quero que sejas a minha mulher e a boa rainha deste meu reino. As tuas irmãs, perdoo-lhes de boa vontade por mo teres pedido.
E tudo acabou em bem. Houve festa de arromba. Tanto os músicos tocaram, que as estrelas do céu abaixo rolaram e tanto dançaram, que os soalhos rebentaram.
E bendito e louvado, está o conto acabado.
Uma história por semana, 
continua com...

Bons sonhos Rosalina, de Brigitte Minne


        


      

E agora?  
Será que Rosalina vai dormir? Ou continuar acordada? 
Decide tu e envia o teu texto com/sem ilustração para bibliotecas@aebf.pt

BONS SONHOS ROSALINA

Mas depois ficou com pena da amiga lua.
Nunca tinha visto a lua assim, tão sobressaltada.
E decidiu ir ter com a lua e ir pedir desculpa. 
A Rosalina gostou tanto da sua ideia que foi logo ter com a lua e então subiu até à montanha mais alta e disse-lhe:
- Ó lua estás a ouvir-me?
E a lua respondeu:
- Sim e depois? perguntou a lua.
E a pata respondeu:
- Lua,desculpa! É que eu gosto tanto,tanto de brincar, que quis ficar acordada mais um bocado.
E a lua disse-lhe:
- Eu estou só a fazer o meu dever. Achas que eu gosto de fazer isto?
- Não.Isto é uma tradição de família começada pelo meu bisavô materno, Ehrro.
A pata não gostou do que fez e disse:
- Olha, eu vou dormir, ganhaste.
- Não dá, gastei o pó todo em ti.
A Rosalina ficou mais triste mas disse de repente.
- E se formos comprar mais pó? É lá que arranjas mais pó, não é?
E a lua respondeu:
- Sim, mas não é nos que os teus donos vão.É numa que só o sol, eu,as estrelas e as constelações vamos.
- Mas onde é isso? perguntou a pata.
- É aqui perto, se formos já ainda vamos a tempo
E lá foram até lá.Demoraram um pouco mas chegaram. A pata ficou estupefacta quando entrou e ela disse:
- Este sítio é lindo, tem pequenas lanternas, fios bem coloridos e muito mais.
E a lua disse rapidamente:
- Concentra-te Rosalina. Lembra-te do que estamos à procura.
Quando chegaram à parte dos pós, pegaram num molhinho e foram pagar.
Quando voltaram, a pata pôs-se num lugar confortável mas antes de ir dormir a lua perguntou-lhe:
- Ficamos amigas?
E a pata respondeu que sim e depois a lua pôs-lhe o pó no corpo todo e disse:
- Boa noite.
E a pata responde-lhe também boa noite.
E a lua sorriu porque foi a primeira pessoa que lhe disse boa noite.
Beatriz Correia Coelho, 3.ºB / EB Casal da Serra



 

 

 

FIM









 Uma história por semana...

O voo do pardal, de Lídia Jorge


  



 
E  agora? Que será que vai acontecer? 
Conta como gostarias que continuasse esta história 
e envia para bibliotecas@aebf.pt

RESPOSTA AO DESAFIO
Uma história por semana...

Mas não deu porque o senhor Henrique Gaspar deixou viver mas disse-lhe:
- Eu deixo-te viver mas  tira todos os teus amigos pardais daqui, já estou farto de vos ouvir e de vos ver, percebeste?
E o pardal respondeu na sua língua:
- Eu tiro-os, mas por favor não lhes faças mal.
E de seguida foi ter com os pardais para eles sairem dali. E lá foram eles embora, menos um que era o que falou com o Henrique Gaspar.
E o pardal perguntou-lhe:
- Somos amigos, certo?
E o senhor respondeu.
- Sim, somos. Qual é o teu nome?
E o pássaro disse-lhe:
- O meu nome é Michel e o teu?
E o Henriques Gaspar respondeu de imediato:
- O meu nome é Henrique Gaspar.
E assim os dois amigos viveram felizes para sempre.
Beatriz Coelho, 3.ºB / EB Casal da Serra

Margarida Oliveira, 3.ºB / EB Casal da Serra


O voo do pardal, de Lídia Jorge
Ora vamos lá saber o que aconteceu ao pardal desta história. 
O que fez Henrique Gaspar? Sempre lhe deu um piparote?     

          

                  

              


                        

             

           



FIM       
                                                                 


VIVA A LIBERDADE!

que Portugal reconquistou há 46 anos!
 todos os dias, todos os momentos...







"Um livro no coração. Todos somos Livros."
(Cartaz de Mariana Rio)
as Bibliotecas do AEBF deixam aqui alguns Desafios (podem escolher 1 ou fazer todos):
1 – Comentar o título da ilustração (cartaz de Mariana Rio)
2 – Descobrir outras ilustrações sobre o mesmo tema igualmente interessantes e enviar o link para um destes endereços:
3 – Recomendar a leitura de um livro ou seleccionar um excerto para partilhar num destes endereços:
4 – Dedicar, pelo menos, 15 min à leitura de algumas páginas de um livro ou de um texto (prosa ou poesia) que vos agrade, podendo fazer desse ritual uma rotina para toda a semana.

E, sobre Direitos de Autor”, o que conhecemos e pensamos, num tempo de comunicação tão ampla e aberta?
A resposta a estes desafios pode ser enviada para os professores titulares (1º ciclo) ou professores de Português dos restantes ciclos, que farão depois o favor de reencaminhar para estes endereços.
Posteriormente, será dado feedback do resultado das participações.




SUGESTÕES DE LEITURA? Visitem BIBLIOTECAR

E AINDA ... os DIREITOS DE AUTOR





DIA INTERNACIONAL
DO LIVRO INFANTIL
2 de ABRiL




FOME DE PALAVRAS

"Na minha terra, os arbustos florescem em finais de abril, início de maio, e logo se enchem de casulos de borboletas. Parecem bolas de algodão ou pedacinhos de algodão doce, mas as crisálidas que ali de desenvolvem devoram folha após folha, até os arbustos ficarem despidos. Quando as borboletas saem destes casulos, iniciam os seus voos delicados, mas os arbustos não são destruídos. E quando chega o Verão, florescem novamente, e assim acontece ano após ano.
É isto que sucede ao escritor e ao poeta. São devorados, esvaziados pelas suas histórias ou poemas: quando estes já estão escritos, saem a voar para acabar nos livros e poderem encontrar os seus ouvintes ou leitores. E isto repete-se uma vez, e outra vez.
O que acontece aos poemas e às histórias? Conheço um menino que foi operado aos olhos. Depois da cirurgia, teve de ficar duas semanas deitado sobre o lado direito. Durante um mês, não pode ler, não pode ler mesmo nada. Quando ao fim de um mês e meio pegou finalmente num livro, parecia que o livro era uma tigela onde apanhava palavras à colher. Como se as comesse. Como se verdadeiramente as comesse.
Conheço uma rapariga que cresceu e é agora professora. Disse-me: coitadas das crianças a quem os pais não lêem livros.
As palavras nos poemas e nos contos são comida. Não são comida para o corpo: ninguém pode encher o estômago com elas. São comida para o espírito e para a alma.
Quando temos fome e sede, o estômago encolhe-se e a boca seca. Procuramos um pedaço de pão, um prato de arroz, de milho, um peixe ou uma banana. Quanto mais fome se tem, mais a atenção diminui, e já não se vê mais nada para lá do pedaço de comida que nos saciaria.
A fome de palavras não se manifesta deste modo, mas adquire a forma da melancolia, do esquecimento, da arrogância. As pessoas que sofrem este tipo de fome não percebem que as suas almas tremem de frio e lhes passam ao lado. Uma parte do mundo foge-lhes das mãos sem que disso tenham consciência.
Esta fome pode ser saciada com contos e poemas.
Mas haverá esperança para aqueles que nunca se alimentaram de palavras para satisfazer a fome?
Sim, há. O menino lê quase todos os dias. A menina que já cresceu e se tornou professora lê histórias aos seus alunos. Todas as sextas. Todas as semanas. Se um dia se esquecer, os alunos vão lembrá-la.
E quanto ao escritor e ao poeta? Quando chegar o Verão, ficarão novamente verdes. E mais uma vez serão comidos pelas histórias e pelos poemas que escrevem, que voarão em todas as direções, como borboletas. Uma vez, e ainda outra vez."
Peter Svetina (n. 1970, Ljubljana, Eslovénia)
Tradução: Maria Carlos Loureiro